Fartura. Só que não

Rolinhos do Carlota

Rolinhos da Carla Pernambuco, servidos no Carlota

Vai acontecer em Jockey Club de São Paulo, no sábado (4) e domingo (5) de agosto o chamado “Festival da Fartura – Comidas do Brasil São Paulo”. O evento vai reunir um montão de gente boa e de comidas gostosas, entre cozinheiros, produtores e outros profissionais ligados a culinária e gastronomia.

Fiquei com vontade de ir. Gostaria de comer os rolinhos da Carla Pernambuco, o capote da Manu Buffara, o arroz de polvo de Alysson Muller, a coxinha nordestina (com carne de sol) do Cauê. Enfim, devem estar lá muitos sabores excelentes.

Mas caso você, como eu, tenha a intenção de aparecer lá, acompanhe aqui quanto vai gastar. Vem cá, vamos fazer as contas.

Primeiro, é preciso comprar ingresso, vendido pelo site sympla. A inteira custa R$ 25 (mais 2,50 de taxa). A meia-entrada (para estudantes, idosos, deficientes físicos e professores da rede pública de ensino) sai por R$ 12,50 (mais taxa de R$ 2). Crianças menores que 12 anos não pagam. O ingresso vale para a entrada em apenas um dos dias. Se quiser ir nos dois dias, portanto, vai gastar R$ 50. Bom, e ao que dá direito? Na explicação da organização: “O valor do ingresso é para acessar o espaço e curtir as diversas atrações culturais que o Fartura oferece, como shows musicais e intervenções artísticas. As aulas gastronômicas também são gratuitas, assim como as Cozinhas ao Vivo, ambas sujeitas à lotação”. Mas veja: o prato feito pelo chef na Cozinhas ao Vivo é vendido. E “todos os itens de consumo pessoal, como bebidas e comidas, são pagos à parte”. OK, entendido, não vou poder comer nadinha pagando apenas os R$ 27,50 iniciais.

Bem, para chegar lá, ou vou de carro (pago R$ 35 pelo estacionamento e fico enlouquecida para achar uma vaga?) ou de Uber/99 Táxi, cuja corrida sai por cerca de R$ 20. Ou seja, R$ 40 para ir e voltar? A estimativa é que o trajeto de oito quilômetros leve 17 minutos (estou na Lapa, na zona oeste – não é muito longe).

Também posso ir de transporte público, pagando apenas o preço da passagem: R$ 4 na ida e R$ 4 na volta. Se escolher esse modal gastarei cerca de uma hora e meia para chegar, pois precisarei pegar um ônibus, descer na 19ª parada, depois esperar outro e andar mais sete estações, então caminhar 650 metros e chegar no portão do Jockey Club.

Se quiser economizar mesmo, talvez eu deva ir andando. O Google Maps me diz que posso percorrer os 7,9 km em cerca de 1h45. Andar é sempre uma opção saudável. Mas temo que ao chegar lá eu estaria já um pouco cansada e não iria percorrer corredores para provar as comidas boas. Então, desisto dessa opção.

Se você tá lendo até aqui é porque é um ser humano muito paciente. Nem cheguei ainda nos valores das comidas.

Então, lá vão. Esse é ponto principal, afinal. Essa informação não consta do site principal, nem da página deles no Facebook. Por quê? Bem, porque muita gente poderia desistir de ir se soubesse disso. Os pratos vão custar entre R$ 15 e R$ 30. E cada porção terá apenas 120 gramas. Isso porque o nome do festival é fartura.

Se você não for muuuuito comilão, talvez precise de, digamos, uns três desses para matar a fome, o que pode custar até R$ 90. Fora as bebidas, cujo preço não consegui descobrir. Vamos imaginar que são baratas e um suco custa R$ 5.

E se quiser sobremesa, pode comprar doces no espaço Lanches e Petiscos. Lá os preços serão um pouco melhores: com R$ 20 é possível comprar um pedaço de bolo.

Optei por ir de Uber e tô com fome, então, agora, somando tudo: ingresso + transporte + comida + bebida + um pedaço de bolo de sobremesa = R$ 182,50.

Acho que não vou. Muito caro esse almoço.

 

 

 

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