Flores para despertar os sentidos

Tantra da Vila Olímpia, o primeiro.

Tantra da Vila Olímpia, o primeiro.

Este texto que escrevi acaba de sair na edição número 40 da C&S (Comércio e Serviços), publicação da Fecomércio. Pode ser lido exatamente como está na revista impressa nesse link.

http://issuu.com/fecomercio/docs/c_s_40_tela_simples_issuu

Para quem preferir, reproduzo aqui no Menu da Lú, porque o Tantra é realmente um lugar muito interessante. Fiquei fascinada com a Eco House. Se eu fosse uma empresária, só ia querer fazer eventos lá.

Nosso mote, como chegou setembro, é a Primavera.

Salmão e flores no prato

Salmão e flores no prato

Neste mês da chegada da Primavera, mostramos um restaurante que se empenha em ser florido o ano todo. No Tantra, além dos vasos espalhados pela casa, as flores comestíveis integram pratos e drinques em caráter permanente. São cultivadas de forma orgânica (sem uso de agrotóxicos ou fertilizantes sintéticos) ao lado de hortaliças, ervas e frutas,  pelo próprio chef de cozinha e proprietário, Eric Thomas.

As flores entram em todos as os pratos principais e entradas do cardápio à la carte e em muitos drinques. São usadas principalmente cinco espécies: amor-perfeito, que aparece em tons de roxo, azul e rosa; a capuchinha, também chamada flor de nastúrcio, em geral nas cores amarela, vermelha, laranja; a orquídea pingo de ouro, a flor de baunilha e flores de manjericão, que além de complementarem o visual conferem aroma característico. A capuchinha e o amor-perfeito têm gosto ligeiramente amargo e cítrico, como se a rúcula e o limão rosa se combinassem em uma única planta. As demais, bem suaves, não chegam a alterar o gosto.

Um dos pratos emblemáticos da casa, Lagosta e Camarão (R$79,90) é uma profusão de cores. Montado dentro da carapaça da lagosta, pedaços dos dois crustáceos recebem vinagrete de frutas, sementes de papoula, kiwi, manga, mamão, capuchinas, amores perfeitos e flores de manjericão.  “Uma mulher não pode ser vista comendo, a não ser lagosta e champanhe”, diz a frase grafada no menu. A brincadeira de Thomas, que funciona como sugestão para que o espumante acompanhe a refeição, surte efeitos, e a dobradinha lagosta/champanhe é das mais pedidas. “Não dá para negar que é uma combinação sensual”, diz o chef.

Uma charmosa sobremesa com frutas

Uma charmosa sobremesa com frutas

A sensualidade, aliás, pauta o Tantra em todos os aspectos. O nome do restaurante é uma palavra que vem do idioma sânscrito e define, na filosofia hindu, um conjunto de ensinamentos e práticas que têm por objetivo tanto a elevação espiritual quanto o prazer carnal. Desde o hall de entrada já fica claro que o foco ali são as sensações. A intenção declarada é que os drinques, pratos e ambiente se combinem para provocar cada um dos cinco sentidos do comensal.

Muitos dos preparos servidos são denominados “afrodisíacos”, como o drinque de morango com gengibre, noz moscada e perfume de pimenta e o shake que leva banana, cacau, maçã peruana, leite de amêndoas, canela, colágeno e Whey protein. Ambos custam R$15. Há a sobremesa Desejo (R$26,90), cuja taça traz sorvete de chocolate, licor de chocolate, licor de cacau, amarula e baunilha. E, entre outras, a salada Buquê de Noiva (convite a algo mais sério?), que consiste em tiras de salmão defumado enroladas com folhas, frutas e flores comestíveis, vendida a R$28,90.

No cardápio não há apenas receitas exóticas. É possível pedir, por exemplo, petiscos como ceviche (R$18,90), filé aperitivo na mostarda (R$37,50) e bolinhas de siri ao molho agridoce (R$32,50), e pratos como filé mignon com shitake (R$66,80). No entanto, quem vai ao Tantra em geral não quer comer algo “normal”, o que leva a maioria das receitas a terem um toque diferente, como a porção de pastéis mistos (R$27,90), que vem com oito unidades recheadas de queijo brie com geleia de pimenta, camarão, salmão e frango. Ou o carpaccio de tubarão (R$34,20), no qual o peixe é marinado com shoyo, óleo de gergelim, limão, pimenta e manga, servido numa cama de rúcula.

Outra marca registrada do restaurante é o salmão ao lovo. Custa R$65,90. A inspiração vem de preparo típico das Ilhas Fiji, onde carnes ou peixes são envoltos em folhas de bananeira e cozidos dentro de um buraco na terra, com pedras vulcânicas incandescentes por cima. Não é muito diferente do churrasco gaúcho chamado de fogo de chão. Bem, no caso do salmão do Tantra, o peixe é temperado com as ervas orgânicas de produção própria, enrolado na folha de bananeira e coberto com pedras trazidas de regiões vulcânicas, que são aquecidas à temperatura de 420 graus Celsius. É servido acompanhado de arroz integral e legumes.

 

As carnes para o grill

As carnes para o grill

O espetáculo do grill

No dia a dia, o mongolian grill  corresponde a 60% do movimento do restaurante.  É uma espécie de sistema self-service de comida oriental grelhada. Mas não só isso. No Tantra, até o caminho entre a escolha dos ingredientes até o prato pronto é pensado para despertar os sentidos. Comece optando por uma ou mais entre oito proteínas (diversas opções de peixes, carnes e frangos). Em seguida, pegue quantos vegetais quiser, de uma mesa com 20 possibilidades; depois adicione algumas das 42 especiarias. Entregue o conteúdo da cumbuca ao cozinheiro, que vai jogar tudo sobre a chapa e misturar, com grandes gestos. A fumaça que sobe torna o ato mais teatral. Você vai sentindo o cheiro dos temperos, um pouco mesmerizado pelo espetáculo, e começa a salivar, esperando que sua combinação resulte em algo delicioso.

Escolha seus temperos

Escolha seus temperos

Caso não se considere capaz de escolher ingredientes que harmonizem entre si, o pessoal do Tantra fornece sugestões. Pergunte ou espie o painel de receitas listadas nos pequenos cartazes (confeccionados com papel reciclado) afixados na parede. O grill custa R$37,20 por pessoa no almoço de segunda a sexta, sendo que cada um pode se servir duas vezes. Aos sábados, domingos e feriados, com bufê à vontade, sai por R$72,90. Bebidas, sobremesas e serviço são cobrados à parte.

O grill: espetáculo à parte.

O grill: espetáculo à parte.

Sustentável

As flores e a sensualidade são apenas as partes mais visíveis do empreendimento. Mantendo a metáfora botânica, podemos dizer que as raízes das ideias estão fincadas bem mais fundas no solo. Aberto originalmente na Vila Olímpia há 18 anos, o Tantra se espalhou pela capital e Grande São Paulo, com unidades na Granja Viana; São Caetano do Sul; Tatuapé, na zona leste, e em Pinheiros, na zona oeste, onde funciona ao lado da casa de eventos Eco House, a menina dos olhos de Thomas, por abrigar a horta e a maioria dos projetos de sustentabilidade que ele vem desenvolvendo ao longo de duas décadas.

Na Eco House, onde são feitos eventos para até 400 convidados (os preços começam em R$100 por pessoa) tudo é sustentável. Há coleta seletiva de lixo, se faz compostagem para a produção de adubo natural para a horta e atingiram uma respeitável eficiência no uso de recursos hídricos e energéticos.

Um intrincado sistema de captação leva água pluvial e já usada a um grande piscinão, com capacidade de 50 mil litros, de onde ela sai para ser tratada, filtrada e usada novamente. Thomas conta que sua conta de água, antes de R$4 mil por mês, agora fica em torno de R$50. Somente a água para a cozinha vem da Sabesp.

O piscinão está instalado exatamente embaixo da pista de dança que gera eletricidade. Cada pisada acende uma pequena lâmpada sob o pé do convidado. A conta de energia diminui à medida que a animação aumenta. Se os DJs das festas na Eco House tocarem mais rock do que baladinhas, o planeta agradece. Thomas também trocou todas as lâmpadas do espaço por iluminação LED (sigla para o termo em inglês Light Emitter Diode), que economiza até 80% de energia.

Eco House: a pista de dança que gera energia.

Eco House: a pista de dança que gera energia.

Implantar todos esses sistemas custou muito dinheiro. Thomas não revela o montante gasto, apenas diz: “Consumiu todo o meu patrimônio. Mas não me arrependo. É aquilo no que acredito.”

A EcoHouse monitora o consumo de água, energia e a gestão resíduos, calcula mensalmente os indicadores de desempenho e comunica a sua eficiência aos clientes por meio de um “econômetro.” Quando um evento é realizado ali, quem o contratou recebe um relatório sobre tudo o que foi poupado. Cada festa economiza, em média, o equivalente a 44 banhos de dez minutos ou 172 descargas de seis litros; eletricidade correspondente ao consumo de duas famílias de quatro pessoas por mês e 68 quilos de resíduos gerados não encaminhados para aterros sanitários.

Tantra: afrodisíacos e eventos sutentáveis.

Tantra: afrodisíacos e eventos sutentáveis.

Para manter o tripé da sustentabilidade, além dos aspectos ambiental e econômico, é preciso cuidar do social. E para mostrar que não estão só jogando pelo marketing, existe o projeto Escola para Todos, no qual a EcoHouse paga professores particulares para auxiliar os funcionários na conclusão do ensino médio, fundamental e universitário.

Eric Thomas lamenta apenas que a crise tenha feito a sustentabilidade perder apelo para o custo, na visão de muitos empresários. “Há dois anos, me procuravam empresas que queriam festas com a marca sustentável. Diziam: ‘Quero um evento para 300 pessoas, quanto você cobra?’. Hoje, me ligam dizendo: ‘Tenho 10 mil para gastar em um evento para 300 pessoas; o que você pode fazer com isso?’ No bufê em que antes servia panqueca com frutas acabo colocando pão de queijo”.

A aposta de Thomas é que a conjuntura mude em pouco tempo, ainda mais para quem oferece festas que geram energia e pratos sensuais com flores comestíveis. Sustentável, como o mundo hoje exige. Mas sem perder a ternura.

Tantra Restaurante. Rua Amaro Cavalheiro, 156. Pinheiros. Tel.: (11) 3437-3235 e 3815-6233. O restaurante funciona apenas para almoço, de segunda a sexta, das 11h30 às 15h. A EcoHouse Eventos fica ao  lado. Outras unidades na Vila Olímpia, Granja Viana, Tatuapé e ABC. Algumas abrem para almoço e jantar.

www.ecohouseeventos.com.br

www. tantrarestaurante.com.br

 

 

 

 

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