La bombe: o “serviço” malandro

La bombe: escolhi uma bomba de mirtilos e outra de chocolate meio amargo. Fotos: Lúcia Helena de Camargo

La bombe: escolhi uma bomba de mirtilos e outra de chocolate meio amargo. Fotos: Lúcia Helena de Camargo

Quando se vai a um restaurante, é legítima a cobrança pelo serviço.

Na tradição brasileira, os 10% adicionais na conta costumavam ficar para o garçom ou garçonete que servia a mesa. E sempre foram opcionais. Ou seja, o cliente não tinha obrigação de pagar. Claro que muitos já trazem a conta com o valor calculado, e a maioria das pessoas acaba pagando mesmo quando não se sente bem servido, por constrangimento, vergonha, por não querer parecer muquirana.

Hoje em dia parece que todos querem um naco dessa taxa de serviço: dos donos dos estabelecimentos ao governo.

De todo modo, acho justa a cobrança pelo serviço quando efetivamente é prestado um serviço.

Porém, tenho notado uma espécie de “amalandramento” de certos estabelecimentos, que cobram a taxa sem prestar serviço algum.

Um parêntese: a qualidade das bombas

O exemplo de hoje é a Faire La Bombe Patisserie. Passei lá na loja original, da rua Pinheiros (zona oeste de São Paulo) neste sábado para comer uma sobremesa. Os doces são bons, feitos com ingredientes de qualidade. No entanto, já foram mais frescos. Fico com a impressão de que depois que a casa decidiu expandir e abrir filiais (há duas, no Market Place e no shopping Iguatemi de Alphaville) as bombas talvez sejam assadas e recheadas com muita antecedência e fiquem armazenadas por muito tempo, acabando geladas demais, meio duras. A produção em maior quantidade deve exigir logística que não permite aquele tratamento artesanal que se tinha tempos atrás. Uma pena. Caiu a qualidade.

Na página da Faire la Bombe no Facebook, escrevi: “As bombas costumavam ser mais frescas. Atualmente parecem que estão prontas há muito tempo, estão meio duras, muito geladas. Perderam o jeitão artesanal, perderam o charme.”.

Eles responderam em seguida: “Ola Lucia, sentimos muito pela sua impressão pois as bombas sempre foram e continuam super artesanais , produzidas inclusive na frente do cliente. Não usamos conservantes, nem congelamos . O processo é o mesmo de sempre . O fato de estar gelada talvez seja a temperatura da geladeira que pode alterar o produto nesse frio. Obrigada pela crítica, vamos ajustar.”

Agradeci a agilidade na resposta, que veio minutos depois da minha postagem. Mas não mudei minha opinião sobre as bombas.

Um café e duas bombas

Um café e duas bombas

De volta ao serviço

Comecei esta postagem para falar de outra coisa: a cobraça da taxa de serviço.

Bem, cada bomba custa R$ 8. Acho um pouco caro, porque o doce é pequeno. Mas OK. Você só compra se quiser. Não é exatamente um artigo de primeira necessidade, então, tudo bem.

Pedi duas bombas e um café expresso. O café custa R$ 4,90. Isso dá R$ 20,90. Minha conta total ficou em R$ 22,99. Ou seja, fui cobrada pelos 10% de serviço.

Seria justo se eu tivesse feito meu pedido sentada à mesa, usado apetrechos ou talheres, recebido meu pedido, depois o garçom tivesse levado a conta à mesa e eu pago ali mesmo, com a maquininha de cartão levada até mim.

Só que não foi assim.

Cheguei, pedi as bombas e o café no balcão. O atendente já colocava o pedido sobre o balcão e eu me preparava para pegá-lo quando ele disse: “Eu levo até a mesa para você”. OK. O gesto de levar até a mesa foi o grande serviço prestado. Andar meia dúzia de passos dentro do estabelecimento minúsculo. Ele levou o pedido juntamente com uma comanda, colocada sobre a mesa. Para pagar, tive que me levantar e pagar no caixa, com o adicional de 10%. Não me perguntaram se poderiam incluir o serviço. Apenas cobraram. Sim, são apenas R$ 2,09 a mais na conta. Mas a questão vai além do valor. É sobre filosofia da casa, tratamento dispensado ao cliente. Ao final, sobra a sensação de que o procedimento inclui uma ganância e uma tentativa de enganação, equiparado com aquele comerciante do mercadinho que dá troco errado esperando que o cliente não confira e dessa maneira ele possa ir ganhando nos centavos, construindo um lucro maior às custas de pequenas desonestidades. Dois reais não me deixarão mais pobre, mas o sentimento de que paguei por um serviço não prestado, imposto na conta de maneira discutível, me deixa triste. E faz cair a avaliação do estabelecimento, pelo menos para mim.

Não sei se voltarei lá.

 

 

One Comment

  1. É simples assim. Não voltar ao estabelecimento que trata mal, ou destrata, o consumidor

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