Shopping de produtos italianos

A entrada do Eataly paulistano

A entrada do Eataly paulistano

Na edição 39 da revista C&S (Comércio e Serviços), saiu nossa matéria sobre o mercado italiano Eataly.

Aqui, uma versão mais detalhada do texto.

Na revista, há limite de espaço. Mas como online não temos esse empecilho, publico para quem quiser saber algumas particularidades que acabei tendo de tirar do texto que seria publicado.

As massas frescas

As massas frescas

Eataly: shopping de produtos italianos

Quando você pensa em comer um prato de macarrão, o que faz? Corre para uma cantina do Bixiga, faz reserva no Fasano, vai até o Empório Santa Luzia em busca de uma massa pronta ou compra miojo? Se prefere algo que se situe mais ou menos a meio caminho entre as opções (obviamente esquecendo o miojo, que, convenhamos, é caso perdido), o Eataly pode ser uma opção interessante. Recém aberto em São Paulo, esse shopping da culinária italiana com 4.500 metros quadrados reúne restaurantes, cafeterias, açougue, padaria, rotisseria, sorveteria, livraria temática, loja de vinhos, equipamentos e louças,  frutas e legumes, tudo dentro do mesmo ambiente.

Visitamos o Eataly, provamos as comidas, fizemos comprinhas e vamos relatar aqui o que vale a pena. É fácil se encantar pelo lugar, pois tudo é organizado, limpo e os funcionários são bem treinados. Mesmo com a casa cheia, o serviço funciona. Você só terá que ter parcimônia se estiver com orçamento limitado. Embora seja possível achar itens com preços razoáveis, quase tudo ali é caro.

Exemplo: uma máquina para esticar massas em aço Marcato Atlas 150 Wellness custa R$554,50 na versão vermelha e R$413,80 na prateada. O mesmíssimo modelo é oferecido por R$209,00 em um conhecido site de compras online. Mas compramos um tagliatelle fresco, em uma bandeja com 346 gramas, por R$11,07. Nessa seção encontramos marcas como Barilla, Rigorosa, Alta Valle Scrivia, Agricola del Sol, Filei, Parnese, Filotea, todas com preços acessíveis. Não compramos os tomates pelados, com preços entre R$6,99 (Multi) a R$16,99 (Afeltra). No supermercado, consegue-se uma lata de tomate italiano de boa qualidade por menos de R$5.

Assim, se a ideia é comprar, convém ir com tempo para olhar tudo calmamente. Você pode sair com seu jantar italiano completo, do canelone aos pratos, passando por acessórios de mesa e decoração.  Não vale se entusiasmar e sair comprando itens desnecessários, como o paliteiro de porcelana que custa R$62,90. Ademais, você quer mesmo sugerir que seus convidados palitem os dentes à mesa?

O Eataly de Turim

O Eataly de Turim

De todo modo, a proposta não é mesmo vender pechinchas. Do alto padrão dos produtos à preocupação com meio ambiente nos processos próprios e dos fornecedores, tudo tem como modelo a loja Eataly original de Turim, norte da Itália, aberta por Oscar Farinetti, em 2007.

Azeites, vinhos, alguns queijos e massas secas, conservas e latarias vêm da Itália, já produtos frescos são de manufatura nacional. A seleção dos sete mil itens que figuram nas prateleiras é feita com apoio do Slow Food, movimento que defende o consumo de alimento sustentável, de maneira agradável e sem pressa.

A carne do açougue do Eataly vem de fazendas do Rio Grande do Sul nas quais o gado se alimenta apenas de capim. Segundo Eduardo Tobias, coordenador do departamento de carnes do Eataly, isso faz a carne se tornar mais tenra e saudável. O quilo do filé mignon custa R$78,90. A média fora dali fica em torno de R$50.

Cogumelos a  granel

Cogumelos a granel

A seção de hortifrútis é uma festa de cores. Da granadilha (R$70,99 o quilo) à brasileira carambola (R$11,90), passando pelo tomate italiano (R$7,90) e pelos cogumelos, oferecidos a granel (R$ 60 o quilo, em média). Tudo arrumadinho na gôndola. “Aceita provar nossa manga Palmer?”, oferece o funcionário da feirinha, vestido com seu uniforme imaculadamente branco.

Frios, embutidos e queijos concorrem pela atenção do visitante. Entre os emblemáticos, o presunto cru italiano (R$172,50 o quilo) e queijo parmesão Grana Padano (R$89 o quilo). Para acompanhar, pode ir bem algum dos 800 rótulos de vinho. O branco Romagna Lazolla 2013, feito da uva trebbiano, exclusividade do Eataly, sai por R$39,90. Já se quiser ir logo para o vinho mais caro da adega, compre o Gaja Sori Tildin 2010, de lebiolo, por R$3.200.

Café: de 1882.

Café: de 1882.

Na seção de peixes, uma enorme caranha de 14 quilos (R$48,50 o quilo) olha como se observasse o movimento. Quer levar? O peixeiro limpa de acordo com o preparo que você indicar. Se não sabe como fazer, recorra às receitas sugeridas. Se preferir aprender de maneira sistemática, pode se inscrever em um dos cursos ministrados na escola de culinária do Eataly, que funciona no primeiro andar. Na agenda de julho está Marco Renzetti, da Osteria Del Pettirosso, que ensinará a preparar linguine negro com camarões, tomate cereja e burrata, em 13 de julho (inscrição, R$180) e André Guidon, que levará aos pizzaiolos amadores seu conhecimento sobre “A Leggera Pizza Napoletana”, em 30 de julho, mesmo preço de inscrição.

Antes de continuar, vai bem uma pausa para o café. No Vergnano, por R$4,50 degusta-se o famoso café produzido na Itália desde 1882.

Sorvete: R$ 14 a bola

Sorvete: R$ 14 a bola

Comer, comer

 Se seu negócio é comer e não cozinhar, então a brincadeira fica mais interessante ao entrar em um dos sete restaurantes temáticos do Eataly, todos localizados ao lado da loja respectiva. O La Carne fica ao lado do açougue, La Pasta ao lado da loja de massas e assim por diante. Entre aqueles que experimentamos, recomendamos a insalata di mare (R$38) – salada de polvo, lula e camarão com salada de batata, salsão – do Il Pesce; o frito misto (R$42) do bar La Piazza, que leva polvo, lula, camarão e peixe do dia; e o tagliatelle all’ossobuco (R$42), do La Pasta.

Ficamos com água na boca, mas não havia lugar no estômago para provar o belo salmão marinado e curado com vegetais orgânicos (R$44) do El Crudo, cuja proposta é servir somente comida orgânica; além da igualmente apetitosa porchetta (R$45) do La Carne, preparada com receita típica da cidade italiana de Aricia. Isolado no segundo andar fica o Brace, no qual tudo que é servido passa pela brasa, do bife ao tomate confitado.

Na hora da sobremesa, a dica é descer até o térreo e provar o gelato cuor de cacao (coração de cacau) da sorveteria e chocolateria Venchi, do Piemonte. Feito com chocolate meio amargo e com impressionante cremosidade, conquista até quem não é muito fã de sorvetes, como eu. Há 20 outros sabores, mas esse é de longe o mais vendido. O copinho ou casquinha com uma bola custa R$14.

Quer mais doce? Os chocolates a granel custam de R$29,90 a R$39,90 cada 100 gramas. Ao lado, há o quiosque de Nutella, que prepara crepes (R$ 14 o simples e R$16 com frutas) e vende potes do creme de avelãs com “São Paulo” estampado no rótulo, a R$ 13,90. Compramos um frasco. O gosto é igual ao da Nutella que a gente conhece, mas esses italianos foram espertos o suficiente para colocar o nome da capital paulistana no rótulo, então, não resistimos e compramos.

Nutella São Paulo: mesmo gosto, mas quem resiste?

Nutella São Paulo: mesmo gosto, mas quem resiste?

Essa pequena homenagem integra a estratégia do Eataly ao chegar a uma nova cidade: fundir elementos da cultura local ao empreendimento. A outra, mais patente, está na arquitetura do edifício, feito em vidro, com estrutura de vigas em metal vermelho, que remetem ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Com declarados R$40 milhões de investimento, o Eataly paulistano é a primeira unidade na América Latina. Instalado na movimentada avenida Juscelino Kubsticheck, tem como sócios Bernardo Ouro Preto e Victor Leal, da rede de supermercados St Marche e Empório Santa Maria, com uma fatia de 40% e a tarefa de administrar o negócio. Os restantes 60% estão divididos entre a companhia Eataly USA, os irmãos Adam e Alex Saper e o grupo americano B&B Hospitality, na qual tem participação o chef Mario Batali.

Há 29 mercados Eataly no mundo, sendo 15 na Itália, nove no Japão, duas nos Estados Unidos, uma em Dubai e uma em Istambul. E anunciam planos de abrir, nos próximos três anos, mais duas lojas na Itália (Verona e Trieste) e uma em Munique, Londres, Paris, Moscou, Seul, Los Angeles, Filadélfia, Boston, Toronto e outra em Nova York.

Quem lê em inglês e quer aprofundar a experiência, pode levar para a casa o livro How to Eataly – A Guide to Buying, Cooking and Eating Italian Food (editora Rizzoli), escrito pelo fundador, Oscar Farinetti, destaque entre as 400 títulos disponíveis na livraria.

 

Uma visão mais geral

Uma visão mais geral

Alguns números do Eataly

R$ 40 milhões de investimento

7 mil produtos à venda

520 funcionários

18 pontos de alimentação, com 768 lugares

800 rótulos italianos de vinho

33 marcas de cerveja italianas e 127 brasileiras

 

EATALY

Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1.489, Vila Nova Conceição. Tel.: (11) 3279-3300.

 

 

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