Um suco de laranja, por favor

Suco de laranja: a simplicidade no copo.

Suco de laranja: a simplicidade no copo.

Gosto de beber suco de laranja. Hoje em dia tenho bebido menos, em razão de uma dieta para curar gastrite. Mas antigamente pedia o suco sempre que comia em algum lugar que o servisse fresco. Em um restaurante por quilo no qual costumava almoçar, no centro da cidade, percebi logo que não poderia tomar suco de laranja. Até tentei. Mas na primeira vez que pedi percebi que o suco que chegava à mesa, espremido há horas, tinha sido recentemente batido no liquidificador, claramente para ficar com a aparência de recém-feito. Depois da tentativa de enganação, veio o esclarecimento: o suco era mesmo produzido horas antes, porque na hora do almoço a correria era grande, não tinham tempo etc. Então passei a alternar entre o suco de melancia e coca cola zero.

Não cheguei ainda naquele estágio avançado em que a pessoa consegue deixar de ingerir líquidos durante a refeição. É mais saudável assim, todo mundo sabe. Mas preciso de pelo menos um copo de água de apoio.

Mas voltando ao suco de laranja, objeto desta postagem. Se você viaja para a Europa ou Estados Unidos, não encontra jamais o suco de laranja recém-espremido. Só de caixinha ou garrafa. Só servem o suco assim em restaurantes caros, porque o “fresh squeezed” (recém espremido) é considerado algo luxuoso.

Por aqui, felizmente, ainda podemos encontrar em grande parte dos botecos, padarias e pequenas lanchonetes aquela máquina (barulhenta pra caramba) usada para espremer uma dúzia de laranjas por minuto, operada pelo balconista, aquele cara que, a depender do tamanho do estabelecimento, também atua como chapeiro,  cozinheiro e barista. É meu tipo preferido de suco. Feito na hora, na sua frente. E servido em seguida. Sem embuste, sem adição de conservantes ou açúcar.

Gosto particularmente das laranjas que chegam no inverno. São menos doces. Alguns balconistas avisam: “a laranja está azeda… e imediatamente empurram o açucareiro (o ‘autêntico’ está sempre meio engorduradinho, pois fica exposto na área da chapa)”. Agradeço e recuso. Gosto do suco pleno. O azedinho da laranja vem junto com temperaturas mais amenas, lembra mudança de estação e não enjoa o paladar. É suco honesto, carrega as características do local em que foi produzido (os entendidos em vinho talvez lembrem da palavra “terroir”) e é servido sem frescuras. Apenas ele mesmo, sem mácula, sem invencionices ou fórmulas rebuscadas. Se tudo chegasse dessa maneira descomplicada, a vida seria mais fácil de entender.

 

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